Páginas

Que tal história?

Que tal história?

sábado, 5 de julho de 2008

ADOLESCÊNCIA (S): Identidade e formação humana.

José Alfredo Oliveira Debortoli.


RESUMO.


Acompanhamos diariamente fenômenos de tensão e violência urbana ligados ao enorme crescimento de nossas cidade; esses problemas e tensões derivam da luta dos indivíduos para preservarem sua autonomia e individualidade, sua existência face às esmagadoras forças sociais, da herança histórica, da cultura e das técnicas da vida.
Como permanecer indiferente a fatos que rompem com a nossa idealizada crença burguesa de que ainda vivemos dentro dos limites da civilidade e passam a instaurar uma verdadeira barbárie em nossas relações?
Todas as tensões e contradições, diferenças e indiferenças, banalidades e violências, que atravessam a vida urbana. Nesse cenário, qual o papel que cabe à educação de crianças e adolescentes?





|DIALOGO ENTRE EDUCADORES


É preciso termos clareza de responsabilidades, de se fazerem as intervenções necessárias. Apresentar elementos que ajudem os adolescentes a organizarem suas formas de expressão.
Queremos para os adolescentes o mesmo que que a qualquer pessoa e a nós mesmos: viver com dignidade.
A adolescência na sociedade moderna não é vista com bons olhos. Para nós ela é representada como um tempo de crise.
Vivemos marcados por uma trajetória de vida, uma estrutura social injusta e organizada de forma autoritária, que a todo tempo nega e destrói a identidade dos sujeitos que, na suas singularidades buscam, muitas vezes de forma contraditória, encontrar sentido e significado para suas existências.
O que podemos fazer para construir uma vida pautada na construção da dignidade e da participação coletiva?
Enquanto posso, eu nego o outro. Entretendo, o outro existe. Então eu o tolero. Mas o outro me incomoda, me é entranho. Tento anular as diferenças, dou nome, fabrico imagens.
Pensar a educação é também pensar que é esse outro.
Vemos os jovens a partir de um conceito negativo; criamos representações sociais que desprestigiam o jovem em sua existência social concreta.
É preciso repensarmos a visão que temos dos nossos adolescentes. Se há mazelas no mundo somos todos responsáveis, juntos precisamos buscar soluções.


A INTERVENÇÃO DO ADULTO/EDUCADOR É NECESSÁRIA E FUNDAMENTAL


A adolescência não é apenas uma etapa obrigatória que todos devem atravessar até chegar a idade adulta . Seu tempo e espaço dependem das historias de vida de cada um, e podem se manifestar de maneiras distintas, com significados particulares. Não lhe cabe um entendimento único e universal; merece uma analise cuidadosa e sensível. Fundamentada na compreensão dos jovens como sujeitos.
Ser adolescente não é apenas uma etapa da vida, é um momento próprio, que nas sociedades modernas tem demarcado a passagem da infância para a idade adulta. O adolescente é aquele que não é mais criança, mas também não é adulto. Ele se vê entre a infância, idiotizada, e um projeto de adulto, que pouco lhe atrai ou faz sentido.
Resta-lhe uma sociedade que ameaça seus sonhos, nega autonomia e aponta incompetências. Os adolescentes vivem em uma cultura que lhe ensinou a banalizar a violência, o desrespeito; insiste me ensinar a ser individualista e competitivo.
Nós os achamos culpados, os rotulamos.
A culpa não está na imaturidade. Há um vazio ético, desrespeito à dignidade, a vida, ao corpo do outro.
Tudo isso não é lhe é sinônimo, nem caracteriza. Ser pobre ou rico, ter casa ou morar na rua, ser do interior ou da capital faz diferença, mas não esgota as particularidades do tornar-se jovem. Muito depende das interações, da forma com que cada um vai aprendendo a se expressar, da forma que cada um encontra para se esconder, agredir, transgredir, das amizades, do dialogo com a família. Da história de cada um.
Dialogar com o jovem é mais que compreender, também é dialogar com os espaços e as instituições sonde suas vidas se estruturam e deixam suas marcas.
A adolescência é também um tempo que anuncia transformações Mudanças no seu corpo, nas relações, na sexualidade, na força, na sua capacidade para explicar o mundo.
A construção da identidade é, contraditoriamente, individual e coletiva. Ele precisa do grupo, do adulto, de referencias. Precisa diferenciar-se para construir sua própria identidade.
Para ser compreendida, a adolescência, deverá ser abordada como construção de/no presente. Se caracterizada apenas como fase de transição, ganha sentido restrito - tempo de superação da infância, mero projeto de adulto.
Pensar os adolescentes do ponto de vista de sujeitos é pensa-los a partir de sua capacidade de construir e participar coletivamente da produção da sociedade e da cultura.


DEPENDENCIA E AUTONOMIA


Diferenciar-se, construir sua própria identidade e muitas vezes doloroso. Os adolescentes aprendem a negar sua criança. Querem construir-se adultos. Mas qual o modelo?
Lhes é imposto ser diferente, mas precisam permanecer semelhantes aos outros adolescentes. Para compreende-los é preciso que reformulemos o que compreendemos por liberdade e autonomia.
Não significam isolamento, não é fazer o que der na cabeça. Para construir-se autônomo é preciso compreender que só existimos na relação com o outro.
Precisam conquistar sua liberdade, mas precisam sentir-se indivíduos. Também é fundamental o outro adolescente.
Precisamos acreditar que os jovens são capazes de gerir sua própria vida e educação.
Aos adultos cabe criar circunstanciais para que esta construção aflore. Cada adolescente, como sujeito social sente a necessidade de ser reconhecido e valorizado.
Os companheiros são o símbolo de uma identidade valorizada ou desvalorizada. O grupo é um espaço propício para a elaboração e a criação da identidade.
A educação e a construção da identidade do jovem passa necessariamente pela construção de uma nova ética, que se exprime pela vivencia imediata da cidadania Não há outro caminho se não a recuperação do afeto e da sensibilidade.


EXPRESSÃO CULTURAL E PARTICIPAÇÃO SOCIAL


Tanto maior será nossa ação educativa quanto maior for nossa sensibilidade e conhecimento dos sujeitos aos quais se destinam nossos esforços Mas é preciso ir além, ao tipo de experiência que se vive e oferece no âmbito das relações sociais dos adolescentes.
Há um enorme vazio por parte do Estado na construção e desenvolvimento de políticas públicas destinadas aos setores jovens.
Se é verdade que o tempo da adolescência é tempo de crise, essa crise é vivida na ausência de projetos culturais e educativos portadores de significado para esses jovens. Talvez faltem informações e alternativas, orientação no exercício da construção ética.
Se quisermos enriquecer as relações e vivencias éticas, as alternativas colocadas pela expressão artística e do corpo são fundamentais
É necessário perceber a importância de se ampliarem as possibilidades de relação entre jovens e que é fundamental a intervenção do educador na construção partilhada de novas formas de relação e respeito ao outro.


ESCOLA E VIOLÊNCIA


Quando essa reflexão recai sobre a educação formal os professores se queixam de agressores dentro das salas de aula. Mas a violência na escola também é recíproca à violência no bairro e na família. Na cultura escolar a violência também se dá de forma sutil, nos seus poderes, disciplinas, discriminações.
Que experiências de si mesmos a escola vem proporcionando a professores e alunos, adolescentes e crianças?


A EDUCAÇÃO COMO POSSIBILIDADE DE CONSTRUÇÃO E EXPRESSÃO DE PROJETOS DE VIDA.


À escola cabe o desafio de ser um grande palco de projetos coletivos, ser capaz de possibilitar a coexistência de diferentes significados e importâncias. Ser capaz de valoriza-los. Antes de tudo reconhece-los e entende-los, dar-lhes existência concreta. Para ser capaz de encontrar coletiva e singularmente suas próprias soluções. Ser capaz de problematizar a relação indivíduo/sociedade, sujeito/cultura.
A complexidade e a heterogeneidade da sociedade contemporânea tem como característica a existência e a percepção de diferenças visões do mundo e estilos de vida.
É preciso recuperarmos elementos éticos, valores que recuperem a nossa sensibilidade ao humano.
A consciência e a valorização dos jovens como uma individualidade singular possibilitaria ajuda-los na formulação de seus próprios projetos.
O desafio a educação e ser capaz de pensar seus diferentes atores em suas realidades concretas, que a ela se impõem cotidianamente.
Postar um comentário